Saber Ver

30-Jun- 2007

Pedagogia

 

Brinca enquanto souberes!
Tudo o que é bom e belo
Se desaprende…
A vida compra e vende
A perdição.
Alheado e feliz,
Brinca no mundo da imaginação,
Que nenhum outro mundo contradiz!

Brinca instintivamente
Como um bicho!
Fura os olhos do tempo,
E à volta do seu pasmo alvar
De cabra-cega tonta,
A saltar e a correr,
Desafronta
O adulto que hás-de ser!

                                Miguel Torga

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27-Jun- 2007

Bugiadas infantis


As bonitas tradições a preservar devem ser difundidas e vividas desde bem cedo.

Assim, as crianças do Jardim de Infância de Paço – Sobrado tentaram improvisar um pouco das roupas características dos Bugios…sendo uma abordagem simplista, foi sem duvida um momento de grande entusiasmo para a criançada. Para alguns (incluindo a Educadora, natural do Porto) foi o despertar para um S. João porventura muito mais rico, colorido e entusiasta.

Viva o S. João de Sobrado!.

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25-Jun- 2007

Entre Mourisqueiros e Bugios …

               

Mourisqueiro /2007                                    Bugio/2007

Pensamentos de S. João …

É com alma, que festas lendárias se vão perpetuando como a que tive o grato privilégio e prazer de assistir ontem, em Sobrado - Valongo. E, essa lenda vai passando de geração em geração, com renovado entusiasmo.

http://estoriasdaminhaterra.blogs.sapo.pt

http://bugiosemourisqueiros.blogspot.com

Foi pelo encanto com que uma criança de 5 anos me falou dos Bugios que eu, a leccionar desde Setembro 2006, numa Escola de Sobrado, senti o desejo de conhecer tão encantadora tradição de S. João.

Tal como para Rubem Alves, para mim as escolas não são gaiolas…são asas, devem estimular as crianças a voar mas, também aperfeiçoar o voo adulto. Não se pode ser indiferente a uma lenda de encantar…tal está para além dos programas e das burocracias. Porque recuso escolas sem asas quero continuar a olhar tudo com a admiração e a fascinação das crianças, face ao desconhecido e, continuar a ensinar e a educar.

Aquela criança tinha captado a beleza dessa festa pela forma como os pais viviam a tradição…com alma!

É minha firme convicção de que só se ensina com alma! Podemos ter boas leis, métodos pedagógicos adequados, recursos sofisticados e materiais dos mais modernos…se não tivermos alma, encanto e convicção, a capacidade de provocar o deslumbramento, de despertar o olhar, de pouco nos aproveitará ter tudo o resto.

 Já dizia Sebastião da Gama, Ser Professor é dar-se.

 

 
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21-Jun- 2007

…Zodíaco…

No final da aula, pouco antes de tocar, as crianças resolveram perguntar os signos umas às outras.

- Eu sou Leão! E tu?

- Sou Carneiro.

- Ah!

- Eu sou Aquário. E tu, João?

- Sou Balança.

O Tiago escuta a conversa, suspira e diz resignado:

- Eu sou hiperactivo!

… 

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16-Jun- 2007

sensibilidades

Quando a tristeza me ataca, quase sucumbo mas, gosto de ter a sensibilidade de me encantar e entristecer assim, perdidamente. É nestes antagonismos de vida que percorro os dias e …sou feliz. Sim, porque a tristeza não faz de mim uma pessoa infeliz! Infeliz é um estado de permanência no mal, numa cegueira militante ao belo, numa quietude sem paz, num amor por repartir.

Por maior que seja a dor, os meus olhos acabam por deixá-la pousar numa qualquer paisagem e ressuscitam para novas visões. E, a alma fica nutrida de paz, saciada de encanto.

Mas, há muitas pessoas de visão perfeita e, que nada vêem. Olham uma magnólia brancamente florida porque reparam nas pétalas que sujam o passeio da rua. E, às vezes as magnólias são enormes, de uma alvura extrema que entra pelo nosso olhar direitinho ao coração! As pétalas do chão são para purificar o nosso andar, não sujam!
Não sei quando nasceu em mim este acto de ver que me torna assim sensível. Acredito, no entanto, que o aprendi e apreendi.

Não tenho a arte de me expressar como os poetas mas, é com eles que me identifico nas leituras do mundo, porque, como diz Rubem Alves, acho que “ganhei olhos de poeta” .

 E, com esses olhos vejo para lá do visível.

Por isso , às vezes não sou compreendida. Sinto que tenho dentro de mim, tal como Florbela Espanca, “um astro que flameja”. E, sinto o amor como uma força poderosa.

E, também amo perdidamente.Girassol

Quando nos deixamos tocar pela poesia, é fácil amar assim. E nesse amor conjugal  recíproco, não há maior força do que ele próprio. E o nosso olhar ama…aproxima, une .Gostava de ensinar outros a ver . Para verem  para lá do tempo e discernirem  o essencial…para receberem um girassol belo e quente, como eu recebi do meu amor.

 

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11-Jun- 2007

“A Cigarra e a Formiga”

Há muito que deixei de contar a Fábula tão conhecida da “Cigarra e a Formiga”.
Gosto de partilhar histórias que me encantam e pelas quais tenho um carinho especial.
Essas são sem duvida as melhores histórias que conto, que prendem os olhares infantis, aquietam o corpo e fazem espreguiçar no fim…ficam a bailar no pensamento.
Mas a fábula da”Cigarra e a Formiga”, sempre me causou algum embaraço, perdoem-me La Fontaine e Bocage! De embaraço passou a repulsa quando o Jornal ”Expresso”resolveu publicar uma colecção de Fábulas desse autor francês, em pequenos livros (incluindo CD) e com breves comentários à moral da história. A moral desta fábula foi feita por Luísa Ducla Soares, escritora que aprecio! Mas, não apreciei os seus comentários! Esperava algo mais!

Penso que na sociedade precisamos de formigas trabalhadoras, sérias e profissionais mas, também precisamos de artistas para embelezar o mundo. As cigarras não são inúteis…também alegram os outros.
Por outro lado a forma implacável, cruel e sem sentimento com que a formiga tratou a cigarra, não é nada exemplar para uma conduta de aceitação do outro(diferente) e de compreensão pelos eventuais erros. E, hoje há muitas formigas por aí a infernizar os outros. Há-as muito “sérias”, em cargos de destaque, a vigarizar o Estado e a explorar outras formigas inferiores…ou cigarras escravizadas?

Felizmente, ao ler o Diário de Sebastião da Gama, encontrei uma abordagem a esta fábula com a qual me identifico:

“…que se louve o espírito de ordem e de trabalho da formiga, está bem; mas que se louve a sua desumanidade, a crueldade da sua recusa, o requinte da sua maldade, isso é imoral e pouco pedagógico…os meus moços acharam que nem devemos trabalhar só, nem devemos apenas brincar; que a Cigarra não é inútil, como não é inútil Beethoven, nem João de Deus, nem o pintassilgo nosso vizinho”.

 Passaram tantos anos e eu vivi num desconhecimento completo. Afinal já alguém tinha sido advogado de defesa da cigarra!…Ainda bem!
A contar esta fábula, será nesta versão mais crítica de Mário Pederneiras.

 

A CIGARRA E A FORMIGA

Dona Formiga
Pertence à classe das senhoras sérias,
Tem cuidado da casa e do alimento;
Não fala muito, muito pouco briga,
Tudo o que faz é com discernimento
E, enfim, não gosta de passar misérias.

Além de tudo, é de ambições modestas,
Todo o seu bem, no seu labor converte
E faz da vida ideias esquisitas…
Não faz visitas
E não se diverte…
Nunca se viu, Dona Formiga, em festas.

De tanto se ocupar da vida e do futuro
E tornar o labor mais sério e duro,
Chega a ficar grotesca e cómica;
Pois, mesmo assim, nos amplos e massudos
Livros morais, de exemplos e de estudos,
Com que, da infância, o estímulo se apura,
Ela figura
Como um sólido exemplo de económica.

Trabalha muito no pesado Estio,
Porque receia
Que o Inverno venha achá-la desprovida.
Por isso, quando chega o Frio
E cessa a lida,
Já ela está com a dispensa cheia.

Dona Cigarra - esta, coitada!
Não vale nada
Entre as pessoas sérias!
É a pobre infeliz que dá lições de canto
E que o Verão inunda
Da sua Alma de estroina e vagabunda…
Entretanto,
Dona Cigarra, eu sei, passa misérias.

É da boémia a mais perfeita imagem,
Adora a luz e mora na folhagem…
E tal a vida é e tal a aceita,
Sempre de sonhos e ilusões repleta…
Dona Cigarra até parece feita
Da própria massa de que é feito o Poeta!

Passa o Verão… E o véu do Estio,
O tempo, sobre o Céu e a Terra corre;
Torna-se a Vida mais penosa e séria…
Dona Cigarra não resiste ao frio
E, coitadinha, morre
E morre, quase sempre, na miséria.

Contam, que um dia,
Morta, do Sol, a límpida alegria,
Sem luz para cantar,
Como fizera no Verão inteiro,
Fora à Formiga, em prantos, implorar
Um pedaço de pão do seu celeiro…

Como a Formiga, então lhe perguntasse
Onde se achava
E o que fizera na estação passada,
Honestamente, disse que cantava…
Pois a malvada,
Sem dó da mísera mendiga,
Quase morta de fome e já sem voz,
Numa ironia desumana e atroz,
Mandou que ela dançasse…

Por isso, é que eu não gosto da Formiga.

              Mário Pederneiras in
Ao Léu do Sonho e à Mercê da Vida, 1912
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8-Jun- 2007

Desafio Bloguista…-

A Rosa Silvestre, da qual só conheço a virtualidade da escrita (CRIANCICES), lançou-me um desafio, que tem vindo em cadeia - Nomear cinco livros que tenha  lido:

* Estórias maravilhosas de quem gosta de ensinar - Rubem Alves

*Escrever - Virgílio Ferreira

* O Quadrado - Manuel Alegre

*Um momento inesquecível - Nicholas Sparks 

* Diário - Sebastião da Gama

E…passar a proposta a outros Bloguistas, para que partilhem os seus gostos literários:

- mestre diário - http://mestrediario.blogspot.com/

- e,mudemos de assunto - http://emudemosdeassunto.blogspot.com/

- recordando  - http://lobíssima.blogspot.com/

- Blog da sabedoria - htt://blogdasabedoria.blogspot.com/

- Conversamos -htt://conversamos.blogspot.com/ 

 Grande abraço para todos!

Bom fim de semana. 

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4-Jun- 2007

Formas de ver

 

«Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões… Agora, tudo o que vejo me causa espanto."

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver".» 

Rubem Alves

(Excerto de um Artigo) 

 

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3-Jun- 2007

Domingo

Porque hoje é domingo, dia de culto a Deus, aqui fica um agradecimento…

"Bendito seja Deus, por eu ser professor!"  

Sebastião da Gama

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