Minha homenagem ao Stoer
Ter tido o privilégio de o conhecer foi para mim inolvidável. Mencionar o seu inquestionável valor como professor e o impulso dado ao trabalho científico na área das Ciências da Educação, seria uma injusta distracção. Não considerar as suas opiniões, seus saberes e estudos em matérias como a Multiculturalidade e teorias de exclusão social, seria insensatez. Mas, guardarei na memória, para além deste vasto conhecimento, a serenidade do seu olhar, a humildade (de quem é sábio), os laços que criava com os outros…também comigo. Fui sua aluna, senti realmente que, por trás do seu sorriso, havia um afecto natural e uma postura de abertura ao outro - aluno. Penso que se aproximava da visão de Paulo Freire, educação com amor. Rubem Alves também refere que“…os docentes, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam ser especialistas em amor, intérpretes de sonhos.”
Sorte que tive em conhecê-lo!
Partiu…porque, como dizia o poeta José Gomes Ferreira, Viver sempre também cansa . Às vezes a vida surpreende-nos com cansaços corporais esgotantes, impossíveis de vencer. Aí temos que partir do corpo, deixando-nos em espírito entre os humanos.
Esta minha confissão termina com um poema, o tal poema. Uma pequena e muito humilde homenagem a este grande e querido homem.
Viver sempre também cansa.
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
Ora é azul, nitidamente azul,
Ora cinzento, negro, quase-verde…
Mas nunca tem cor inesperada.
…
As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
Não há flores que voe,
A lua não tem olhos
E ninguém vai pintar olhos à lua.
Tudo é igual, mecânico e exacto.
Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
Sem imaginação.
E, há bairros miseráveis sempre os mesmos,
Discursos de Mussolini,
Guerras, orgulhos em transe,
Automóveis de corrida…
E obrigam-me a viver até à morte!
Pois não era mais humano
Morrer por um bocadinho,
De vez em quando,
E recomeçar depois,
Achando tudo mais novo?
Ah! Se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
Morrer em cima de um divã
Com a cabeça sobre uma almofada,
Confiante e sereno por saber
Que tu velavas, meu amor do Norte.
Quando viessem perguntar por mim,
Havias de dizer com teu sorriso
Onde arde um coração em melodia:
“Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
Por uma bagatela.
E virias depois, suavemente,
Velar por mim, subtil e cuidadosa,
Pé ante pé, não fosses acordar
A Morte ainda menina no meu colo…
(texto escrito aquando do seu falecimento - Raquel Alves/2005)
A importância de alguns professores, o que eles nos marca(ra)m, sente-se bem nas tuas palavras….
…e isso é uma responsabilidade acrescida, em nós que somos profs tb.
Comment por tsiwari — 22-Oct- 2007 @ 10:35 pm
Feliz do mestre que consegue ser superado pelos seus discípulos, que não precisa de ser lembrado. Cumpriu a sua missão na plenitude!
Coitado do mestre permanentemente lembrado por quem foi seu discípulo. Apenas se aproveita o auto-consolo da homenagem. É triste!
Comment por Zumzumbi — 23-Oct- 2007 @ 8:08 pm
Uma linda homenagem a um professor que certamente a mereceu e que será recordado pelo que deixou como pessoa.
Cumprimentos
Comment por daplanicie — 28-Oct- 2007 @ 9:04 pm
Oi pessoal as provas sao boeda faseis só precisam de muita concentração.
Comment por Ana Sufia Andrade Baptista — 15-May- 2008 @ 8:31 pm